A Casa da Xilogravura tem vários desígnios, todos voltados para a gravura com matriz de madeira. Compete-lhe colecionar, exibir, conservar, divulgar e fomentar pesquisas sobre xilogravura.No que tange a “colecionar” e “exibir”, interessam a este Museu, além dos autores consagrados, também os novos e os novíssimos, que estão iniciando a carreira artística. Há um compromisso com a descoberta de autores pouco conhecidos hoje, muito valorizados amanhã. E é imperioso exibi-los, em especial quando apresentam grande talento e seus precoces méritos fazem supor o brilho futuro.Este é o caso de Clayton Araujo. Ele aparece agora, mas já vem pronto.É bem verdade que desde 2011, quando iniciou o curso de graduação em Artes Visuais na Universidade Cruzeiro do Sul, de São Paulo, já começou a dedicar-se à arte xilográfica. Entretanto, até hoje manteve-se quase incógnito.Mas trabalhou muito, muitíssimo, com afinco e perseverança. Buscou inspiração nos grandes mestres e contou com estímulo e orientação pessoal de Afonso Balestero. O resultado é fantástico e se vê nesta mostra de retratos marcantes, em rico claro-escuro, que parece entremostrar a alma dos retratados. Seus personagens emergem de uma pequena cidade mineira, são agricultores, membros de um grupo de congada, donas de casa, etc.Eis porque a Casa da Xilogravura fica muito satisfeita ao expor os trabalhos de Clayton Araujo. O público sentir-se-á tocado ao vê-los. São obras maduras, ainda que o artista seja muito moço – nasceu em 1981 - ricas em técnica, fortes na expressão e, acima de tudo, surpreendentes.