
Em meio à Copa do Mundo de 2026, o futebol volta a mostrar sua força como um dos principais pontos de encontro entre os brasileiros. Segundo a pesquisa “Copa do Mundo e Laços Coletivos no Brasil”, realizada pelo Instituto Locomotiva em parceria com a QuestionPro, 7 em cada 10 brasileiros afirmam que o Mundial aproxima familiares, amigos e colegas que pensam diferente.
O levantamento revela que 72% da população enxerga a Copa como um momento capaz de criar pontes entre pessoas com opiniões distintas. Em um país marcado por divergências políticas nos últimos anos, o futebol aparece novamente como uma experiência coletiva, capaz de reunir brasileiros em torno da Seleção.
A pesquisa também mostra que 9 em cada 10 brasileiros consideram que a Copa do Mundo une o país. Para 62%, o torneio une muito os brasileiros. Já 80% dos entrevistados afirmam que o Mundial é um momento em que o Brasil torce junto, o equivalente a cerca de 132 milhões de pessoas.
Esse sentimento de pertencimento aparece de forma semelhante entre diferentes campos ideológicos. Entre eleitores de esquerda, 84% afirmam que o país torce junto durante a Copa. Entre eleitores de direita, o percentual é de 82%.
Apesar disso, a polarização não desaparece completamente. O estudo aponta que 61% dos brasileiros reconhecem que as divisões políticas também aparecem na forma como as pessoas vivem a Copa. Ainda assim, o desejo de conexão e convivência prevalece.
Para Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva, o Mundial não elimina as diferenças, mas cria uma espécie de pausa coletiva.
“Em um país marcado por divisões, a Copa representa uma oportunidade rara de encontro. Ela não elimina as diferenças, mas cria uma pausa coletiva em que famílias e colegas podem compartilhar a mesma expectativa. Essa capacidade de reunir pessoas continua sendo uma das forças mais importantes do futebol no Brasil”, afirma.
Camisa da Seleção volta a ser símbolo de orgulho nacional
Um dos pontos de destaque da pesquisa é a reaproximação dos brasileiros com a camisa da Seleção. Depois de anos em que o uniforme passou a ser associado também a disputas políticas, o estudo indica que a peça volta a ser adotada por eleitores de diferentes espectros ideológicos durante os jogos do Brasil.
Segundo o levantamento, 62% dos brasileiros, o equivalente a cerca de 102 milhões de pessoas, dizem sentir orgulho de usar a camisa da Seleção. Entre aqueles que já possuem ou pretendem comprar o uniforme, 92% afirmam que pretendem usá-lo durante os jogos da Copa.
A adesão é praticamente igual entre diferentes campos políticos. Entre eleitores de esquerda, 93% dos que têm ou pretendem comprar a camisa dizem que irão usá-la durante o Mundial. Entre eleitores de direita, o índice é de 92%.
Para Renato Meirelles, os dados indicam um movimento de retomada simbólica da camisa como elemento de identidade nacional.
“A camisa da Seleção é um dos símbolos mais reconhecidos do Brasil. Ela carrega memória, orgulho, futebol e identidade nacional. Ao mesmo tempo, passou a refletir tensões recentes do país. A pesquisa sinaliza que esse símbolo está voltando a ser adotado por diferentes segmentos eleitorais”, avalia.
Copa aparece como trégua em meio às diferenças
O estudo reforça a força da Copa do Mundo como um evento que ultrapassa o esporte. Para milhões de brasileiros, o torneio representa encontros familiares, reuniões entre amigos, conversas no trabalho, ruas decoradas e uma rotina alterada pela expectativa dos jogos da Seleção.
Mesmo em um cenário de divergências políticas, a pesquisa aponta que o futebol segue ocupando um espaço afetivo na vida nacional. A Copa surge como um momento em que as diferenças não deixam de existir, mas podem ser temporariamente colocadas em segundo plano diante de uma torcida comum.
A pesquisa “Copa do Mundo e Laços Coletivos no Brasil” foi realizada pelo Instituto Locomotiva em parceria com a QuestionPro entre os dias 2 e 8 de junho de 2026. Ao todo, foram ouvidos 1.030 brasileiros com 18 anos ou mais, em todas as regiões do país. A margem de erro é de 3,1 pontos percentuais.