
A comunidade do Quilombo da Caçandoca, em Ubatuba, prepara para segunda-feira, 12 de outubro, uma celebração de Nossa Senhora Aparecida que reúne missa, procissão marítima e corrida de canoas. A programação começa às 9h, na capela da padroeira, na praia do quilombo. Maracatu, capoeira e samba de roda também estão previstos no encontro, organizado pela comunidade com apoio da Fundart e da Prefeitura.
A sequência anunciada começa com a celebração religiosa, segue com a imagem de Nossa Senhora Aparecida pelo mar e chega à disputa das canoas. Os horários individuais das atividades posteriores à missa não foram divulgados. O ponto de referência para acompanhar a festa é a Capela de Nossa Senhora Aparecida, indicada pela organização no comunicado municipal publicado em 9 de outubro.
O evento tem uma característica que o distingue de uma agenda de shows no feriado: sua realização está diretamente ligada aos moradores e a práticas transmitidas entre gerações. A canoa, o mar e a capela aparecem na mesma programação porque integram relações culturais e territoriais da comunidade. Para quem visita Ubatuba, acompanhar o encontro é uma oportunidade de reconhecer a praia também como lugar de vida, trabalho e memória.
O mar faz parte da história da comunidade
A publicação “Terras de Quilombos”, disponibilizada pelo Incra, apresenta a Caçandoca a partir de sua formação, seus núcleos familiares e suas relações com o território. O material registra a importância histórica do transporte marítimo de pessoas e mercadorias e dos conhecimentos sobre ventos, marés e movimentos dos peixes. Também documenta a presença de tradições africanas, indígenas e católicas na vida cultural local.
Essa combinação ajuda a compreender a programação de outubro. Uma procissão marítima desloca para a água parte da celebração religiosa, enquanto a corrida coloca em evidência uma embarcação relacionada ao cotidiano tradicional. São atividades diferentes, reunidas em uma festa na qual devoção e conhecimento do ambiente litorâneo não aparecem como assuntos separados da vida comunitária.
O livreto do Incra inclui registros da celebração de Nossa Senhora Aparecida de 2014. A documentação mostra que a relação com a padroeira antecede a edição anunciada para 2026. A festa atual dá continuidade a uma prática local, sem que isso permita presumir a repetição de todos os detalhes de anos anteriores. O programa confirmado para segunda-feira deve ser lido como a agenda desta edição.
Uma trajetória de reconhecimento e resistência
A Caçandoca também ocupa um lugar importante na história do reconhecimento de territórios quilombolas. Em pronunciamento registrado pelo Senado Federal em dezembro de 2006, a comunidade foi apresentada como o primeiro território quilombola no qual o governo federal utilizou o instrumento da desapropriação por interesse social. O registro se referia à posse de uma área desapropriada pelo Incra naquele período.
O dado histórico não equivale a afirmar que toda a regularização fundiária esteja concluída hoje. Ele situa um marco documentado da trajetória da comunidade. Ao trazer esse contexto para a festa, o território deixa de ser entendido apenas como uma localização turística: torna-se também um espaço ligado a direitos, pertencimento e continuidade de famílias que construíram suas relações naquele lugar.
O reconhecimento territorial e a permanência das práticas culturais são dimensões que se encontram, mas não se substituem. Um documento registra uma etapa administrativa; uma festa reúne pessoas em torno de referências compartilhadas. A celebração da padroeira permite observar como a memória comunitária também se expressa em acontecimentos públicos, para além de arquivos, processos e datas oficiais.
Para o visitante, conhecer essa história muda a maneira de interpretar o encontro. Os moradores são os protagonistas da programação, e a praia não é um cenário sem vínculos sociais. O respeito ao território inclui reconhecer as orientações locais, evitar interferências nas atividades e compreender que uma celebração pode ter sentidos específicos para quem a organiza e para quem vive ali.
Capoeira e samba de roda integram o encontro cultural
A agenda divulgada prevê apresentações de capoeira, maracatu e samba de roda. Não foram apresentados nomes dos grupos, horários detalhados ou duração de cada participação. O que está confirmado é a presença dessas expressões na programação da festa, junto com a celebração religiosa e as atividades no mar.
A capoeira combina jogo, canto, toque de instrumentos, movimento e transmissão de conhecimentos. A roda de capoeira e o ofício dos mestres foram reconhecidos pelo Iphan como Patrimônio Cultural do Brasil em 2008. O reconhecimento institucional ajuda a situar sua importância histórica, mas a apresentação na Caçandoca deve ser compreendida a partir da participação das pessoas e dos grupos que estarão no evento.
O samba de roda também possui uma referência reconhecida pelo Iphan no Recôncavo Baiano. Essa documentação não significa que toda apresentação de samba de roda, em qualquer lugar, tenha automaticamente o mesmo registro patrimonial. Ela permite compreender a relevância de uma expressão cultural que articula música, dança e convivência. Na festa de Ubatuba, o interesse está em como essas linguagens se encontram na celebração organizada pela comunidade.
O maracatu completa o conjunto de manifestações anunciado. Sem informação sobre o grupo e a modalidade que será apresentada, não cabe antecipar figurinos, instrumentos ou formação. A programação cultural amplia o encontro para além da missa e da disputa das canoas, mas os detalhes devem ser acompanhados pelos canais da organização e no próprio local da festa.
Como organizar a visita no feriado
A data coincide com o feriado nacional de Nossa Senhora Aparecida, em uma segunda-feira. Para quem deseja acompanhar a abertura religiosa, a referência de chegada é o horário das 9h. Quem estiver interessado principalmente na procissão ou na corrida deve consultar as orientações da comunidade, pois a divulgação estabelece a sequência das atividades, sem fornecer uma tabela completa de horários.
A praia da Caçandoca fica no município de Ubatuba, no Litoral Norte de São Paulo. O endereço divulgado para o evento utiliza a própria capela e a praia como referências. Não foram anunciados transporte especial, linhas adicionais de ônibus ou esquema específico de estacionamento. O planejamento do deslocamento deve considerar o destino correto e as condições efetivas de acesso no dia, sem presumir serviços que não fazem parte da divulgação.
A presença da corrida na programação também não significa que qualquer visitante possa se inscrever ou embarcar. Regras de participação, categorias e orientações para as embarcações não foram informadas no comunicado consultado. Para assistir, é importante seguir as indicações dos responsáveis e manter livres os espaços necessários à circulação de participantes e à movimentação das canoas.
Fotografias e vídeos podem registrar a festa, mas merecem o mesmo cuidado de qualquer visita a uma comunidade. Pedir autorização antes de retratar pessoas de perto, respeitar momentos religiosos e evitar bloquear a visão ou a passagem dos participantes são atitudes que ajudam a acompanhar o encontro sem interferir em sua realização. A atenção às orientações locais vale tanto na capela quanto na praia.
Serviço
- Evento: Festa da Padroeira da Caçandoca e Corrida de Canoas.
- Data: segunda-feira, 12 de outubro de 2026.
- Início: 9h, com Santa Missa.
- Local: Capela de Nossa Senhora Aparecida, Praia do Quilombo da Caçandoca, Ubatuba.
- Sequência anunciada: missa, procissão marítima e corrida de canoas.
- Programação cultural: maracatu, capoeira e samba de roda.
- Apoio: Fundart e Prefeitura de Ubatuba.
A divulgação oficial do evento reúne o serviço confirmado; horários adicionais e condições de participação devem ser verificados com os responsáveis.