
A menos de um mês da redação do Enem 2026, revisar os erros que aparecem nos textos já corrigidos pode tornar a preparação mais direcionada. A orientação é de Rafael Galvão, diretor pedagógico do Ensino Médio da Rede Alfacem Global Academy, que recomenda olhar para dificuldades persistentes antes de aumentar a quantidade de exercícios. A redação será aplicada em 8 de novembro, primeiro domingo de provas, conforme o calendário divulgado pelo Inep.
Para estudantes de Campos do Jordão, do Vale do Paraíba e do Litoral Norte que se preparam para o exame, o caminho começa com uma tarefa concreta: reunir as últimas produções e observar os comentários recebidos. Leitura incompleta do tema, repetição de argumentos e propostas de intervenção pouco detalhadas estão entre os problemas apontados pelo educador. Identificá-los permite escolher o que treinar nas próximas semanas, em vez de tratar todas as dificuldades como se fossem iguais.
A referência oficial para esse trabalho é a Cartilha do Participante de 2026, disponibilizada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. A publicação apresenta os critérios da avaliação e exemplos comentados de textos da edição anterior. Seu uso pode complementar a orientação de professores, ajudando o candidato a compreender o que está sendo cobrado e a comparar esse objetivo com as próprias produções.
Comece pelas correções que já recebeu
Galvão propõe uma mudança de foco na reta final: trabalhar o erro recorrente. Produzir mais textos, sem voltar aos problemas apontados, pode manter a mesma dificuldade de uma semana para outra. O diagnóstico precisa ser específico. Um comentário sobre argumentação pede atenção diferente de uma marcação de pontuação; uma conclusão genérica exige outro tipo de revisão em relação a um parágrafo que se afasta do assunto.
Uma forma prática de organizar essa leitura é criar um registro pessoal com três campos: problema observado, trecho em que ele aparece e mudança feita na reescrita. Esse registro não substitui a correção docente nem representa uma exigência do exame. Funciona como instrumento de acompanhamento para que o estudante perceba se conseguiu corrigir a dificuldade e se ela reaparece em uma produção posterior.
Por exemplo, quando dois parágrafos desenvolvem a mesma ideia com palavras diferentes, o trabalho pode começar antes de escrever: definir qual será a função de cada um. O primeiro pode apresentar uma causa do problema e o seguinte discutir uma consequência, desde que esse percurso corresponda ao tema. Ao reler, o candidato consegue verificar se o segundo bloco acrescentou informação ou apenas repetiu o primeiro.
A leitura do tema orienta todas as escolhas
A leitura apressada da proposta está entre as falhas mencionadas pela equipe pedagógica. Antes de escolher uma referência cultural ou iniciar a introdução, vale identificar qual problema precisa ser discutido e quais palavras delimitam o assunto. Esse cuidado ajuda a evitar que o texto responda a uma questão mais ampla ou diferente daquela apresentada ao participante.
No treinamento, o estudante pode escrever uma frase curta com o que entendeu da proposta e conferir se os argumentos planejados respondem a essa frase. A atividade é uma sugestão de organização, não uma fórmula de introdução. Seu propósito é tornar visível a ligação entre tema e raciocínio antes que a redação inteira seja produzida.
Também é útil distinguir mencionar um assunto de analisá-lo. Uma sequência de frases que apenas afirma a importância da educação, da saúde ou da tecnologia não explica automaticamente um problema relacionado a esses campos. O argumento precisa indicar uma relação compreensível: por que determinada situação acontece, quem é atingido ou como um obstáculo interfere no resultado discutido.
Repertório precisa participar do argumento
Segundo Galvão, a reta final não exige necessariamente acumular cada vez mais referências. A orientação apresentada pela instituição é dominar um conjunto de aproximadamente 12 a 15 repertórios e saber relacioná-los aos temas estudados. Trata-se de uma proposta pedagógica da escola, não de uma quantidade obrigatória definida pelo Inep. Cada candidato deve avaliar o que consegue usar com segurança.
Conhecimentos de História, Geografia, Sociologia e Filosofia podem alimentar a reflexão sem criar uma rotina paralela dedicada apenas à memorização de citações. A escolha de um repertório deve responder a uma pergunta simples durante a revisão: o que essa referência ajuda a explicar? Se a resposta não aparece no parágrafo, há espaço para trabalhar melhor a conexão ou substituir o exemplo.
O cuidado vale para dados e frases atribuídas a autores. Quando o estudante não tem segurança sobre um número ou uma citação literal, inserir a informação pode comprometer a clareza do raciocínio. É mais útil trabalhar uma referência que ele compreende e consegue explicar do que decorar uma formulação cujo sentido permanece pouco claro. O treino deve permitir testar essa compreensão.
Reescrever permite acompanhar a evolução
A correção individualizada e a reescrita estão entre as estratégias recomendadas pela equipe da Alfacem. Voltar ao mesmo texto cria uma oportunidade de comparar duas versões: a primeira mostra como o argumento foi apresentado inicialmente; a segunda revela quais mudanças foram feitas depois da orientação. Esse contraste ajuda a transformar um comentário abstrato em uma tarefa concreta.
Se o problema era a falta de explicação, a nova versão deve tornar o raciocínio mais compreensível. Se havia uma passagem de uma ideia para outra sem conexão, a revisão precisa trabalhar essa relação. Acrescentar palavras de ligação, por si só, não resolve uma sequência que continua sem sentido. O estudante deve conseguir explicar, com suas próprias palavras, por que um trecho vem depois do outro.
Pontuação, crase e regência também podem receber atenção a partir das redações anteriores, conforme a orientação do educador. Em vez de revisar toda a gramática de maneira indistinta, o candidato pode separar dúvidas que apareceram nas próprias produções e levá-las ao professor. Isso permite concentrar o estudo em ocorrências identificadas, preservando tempo para argumentação e planejamento.
A intervenção precisa ser compreensível
A proposta de intervenção merece revisão específica. Galvão orienta que o estudante indique quem pode agir, o que deve ser feito, como a medida poderia ser colocada em prática e qual resultado se pretende alcançar. O detalhamento ajuda a substituir soluções genéricas por uma ação que o leitor consegue compreender dentro do problema analisado.
No exercício de reescrita, vale conferir a coerência entre a conclusão e o desenvolvimento. Uma intervenção pode parecer completa na forma e, ainda assim, não responder às dificuldades discutidas anteriormente. O treinamento deve perguntar se a medida enfrenta o obstáculo apresentado no texto, se o responsável indicado tem relação com a ação e se a finalidade está explicada.
Também é necessário distinguir uma sugestão possível de uma promessa de solução total. O objetivo do parágrafo não é garantir que um problema complexo desapareça imediatamente. É apresentar uma intervenção organizada e relacionada à análise. Esse cuidado contribui para uma conclusão mais precisa e evita que o fechamento abandone o raciocínio construído ao longo da redação.
Uma rotina que caiba nas semanas restantes
Como possibilidade de organização, o educador sugere uma redação completa por semana, uma reescrita a cada duas semanas e cerca de 20 minutos diários dedicados ao repertório. Esse planejamento deve ser adaptado à rotina e às necessidades do estudante. Não é uma regra do Enem nem uma garantia de nota, mas uma referência para distribuir produção, revisão e estudo.
Simulados com tempo controlado e sem consulta também fazem parte da orientação. O exercício ajuda o candidato a observar quanto tempo utiliza para compreender a proposta, planejar, escrever e revisar. Depois da atividade, o registro pode incluir o ponto em que houve maior dificuldade. Assim, o próximo treino ganha um objetivo definido, em vez de repetir apenas a experiência anterior.
Nos dias mais próximos do exame, a equipe recomenda preservar a rotina de sono e alimentação e evitar mudanças bruscas nos estudos. A preparação final deve olhar para ajustes identificados ao longo do percurso. Comparar o próprio planejamento com o de colegas pode gerar tarefas que não atendem às mesmas necessidades; a orientação recebida nas correções oferece uma referência mais individual.
Onde conferir as regras da prova
O Inep informa que a redação exige texto dissertativo-argumentativo de até 30 linhas. A cartilha detalha as cinco competências avaliadas e situações que podem levar à nota zero, incluindo fuga ao tema. É importante consultar o documento completo, distinguindo regras oficiais de sugestões de treinamento apresentadas por escolas e professores.
A Cartilha do Participante pode ser acessada gratuitamente no portal do instituto. A publicação possui também orientações em versões destinadas a participantes com dislexia, transtorno do espectro autista e surdez ou deficiência auditiva. Para a revisão deste mês, o próximo passo é combinar essa leitura com os comentários das redações já corrigidas e escolher uma dificuldade concreta para trabalhar.
Serviço
- Redação do Enem 2026: 8 de novembro, primeiro dia de provas.
- Segundo dia de provas: 15 de novembro.
- Material oficial: Cartilha do Participante de 2026, disponível gratuitamente no portal do Inep.
- Preparação: revisar textos corrigidos, identificar dificuldades e discutir ajustes com o professor.
- Acompanhamento individual: consultar a Página do Participante para informações do exame.