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O colapso das vitrines: o comércio de rua no Brasil perde força diante da era digital

O avanço do e-commerce redefine o varejo e transforma as cidades brasileiras

por: Redação ( 2 mês atrás ) - Atualizado: 05/10/2025 10:25

Durante décadas, o comércio de rua foi o coração das cidades brasileiras — um espaço de convivência, consumo e economia pulsante. Mas, nos últimos anos, o cenário mudou. As vitrines estão apagadas, as calçadas perderam o movimento e o que antes era símbolo de prosperidade hoje é sinal de esvaziamento.

Enquanto as lojas físicas enfrentam retração, o e-commerce brasileiro alcança patamares históricos. Em 2024, o setor movimentou R$ 204,3 bilhões, segundo a Nuvemshop, e as projeções da Investe SP indicam que o faturamento deve ultrapassar R$ 235 bilhões em 2025.

A digitalização do consumo transformou o comportamento do comprador, e os lojistas tradicionais enfrentam o maior desafio de sua história: sobreviver num mercado dominado por telas e entregas em 24 horas.

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O desempenho do varejo físico no Brasil (2023 → 2025)

Segundo o IBGE, o varejo brasileiro apresentou um crescimento desigual nos últimos três anos:

2023: alta de apenas 1,7 % no varejo restrito e 2,4 % no ampliado.

2024: o melhor resultado da década, com 4,7 % de crescimento, impulsionado por grandes redes com operação digital.

2025: primeiros meses mostram estagnação, com retração de – 0,4 % em abril, após três meses de alta consecutiva.

Embora o varejo ainda mantenha números positivos no acumulado de 12 meses (+ 3,4 %, segundo o IBGE), especialistas apontam que o consumo físico está mudando de forma estrutural. As lojas tradicionais deixaram de ser o centro da experiência de compra — agora, o cliente pesquisa, compara, escolhe e finaliza tudo pelo celular.

E-commerce cresce e impõe novo modelo de consumo

De acordo com a Ebit | Nielsen, o comércio eletrônico brasileiro movimentou R$ 187 bilhões em 2023 e ultrapassou R$ 204 bilhões em 2024.

No primeiro semestre de 2025, o setor já registrou R$ 100,5 bilhões em vendas, com ticket médio de R$ 540 e mais de 41 milhões de compradores ativos, segundo levantamento da Exame/Bússola.

Outros dados reforçam essa mudança:

72 % das compras online são realizadas por smartphone.

Pix já representa 40 % das transações digitais.

O crescimento acumulado do e-commerce brasileiro entre 2016 e 2023 foi de 287 %, segundo a Fecomercio-SP.

O avanço tecnológico, somado à eficiência logística, criou um novo padrão de consumo: rápido, transparente e personalizado.

Por que o online vence: o peso dos custos e da conveniência

Os números mostram o que o consumidor já percebeu: comprar online é mais barato e prático.

Segundo pesquisa da CNDL, 43 % dos brasileiros afirmam que o preço é o principal motivo para preferir o e-commerce.
Lojas físicas enfrentam custos altos com aluguel, energia, estoque, impostos e equipe. Já o vendedor digital pode operar com estrutura reduzida e logística terceirizada — o que resulta em preços até 30 % menores em produtos de grande demanda, como eletrônicos e moda.

Além disso, o cliente de hoje tem acesso a avaliações, vídeos e comparadores de preço antes de tomar qualquer decisão.
A “conversa no balcão” foi substituída pela avaliação em cinco estrelas.

Entregas rápidas e frete grátis mudaram o jogo

A entrega imediata, antes exclusiva da loja física, deixou de ser diferencial.
Com programas como Amazon Prime, Mercado Pontos e Shopee Frete Grátis, a conveniência se tornou regra.

Mais da metade dos consumidores brasileiros (56 %) citam o frete grátis como fator decisivo de compra.
Em grandes centros urbanos, a entrega em até 24 horas já é realidade. O deslocamento, o trânsito e as filas das lojas físicas passaram a ser vistos como tempo perdido.

A mudança geracional: quando o consumidor troca a vitrine pela tela

A transformação também é geracional.

64 % da geração Z (nascidos após 1995) afirmam comprar majoritariamente online.

Entre os consumidores acima de 57 anos, 66 % ainda preferem o comércio físico.

Os mais jovens não têm apego à experiência da loja. Para eles, o celular é o shopping.
Assistir reviews no YouTube, comparar preços em segundos e receber em casa é o padrão.

Já os mais velhos valorizam o contato humano e o imediatismo de levar o produto na hora — mas são um público que encolhe a cada ano. A consequência é clara: o comércio de rua envelhece junto com seus clientes.

Quando as ruas mudam de função

O esvaziamento do varejo presencial é visível em todo o Brasil.
Pontos comerciais são substituídos por clínicas, academias, salões de beleza, pet shops e restaurantes — negócios que dependem do contato físico e não podem ser substituídos por um aplicativo.

Segundo a Fecomercio-SP, mesmo com alta pontual de 11,9 % nas vendas em março de 2024, o estado registrou 185 vínculos formais encerrados no varejo em 12 meses.
O comércio físico resiste, mas cada vez mais como território de serviços e convivência, não de consumo em massa.

Caminhos de reinvenção: como o varejo pode sobreviver

A sobrevivência do comércio físico depende de reinvenção — e de integração com o digital.
Entre as estratégias apontadas por especialistas estão:

  1. Omnicanalidade: unificar loja física, site, redes sociais e marketplaces.
  2. Showrooms e pick-up stores: transformar o ponto físico em espaço de experiência e retirada.
  3. Eventos e relacionamento: aproximar o consumidor por meio de ações locais e atendimento personalizado.
  4. Tecnologia acessível: adotar meios de pagamento instantâneos, QR Code e automação de estoque.
  5. Marketing de experiência: criar valor além do preço — com atendimento, ambientação e propósito de marca.

Empresas que adotam essas práticas registram até 35 % mais retenção de clientes, segundo estudos da McKinsey e da Think With Google.

O futuro das vitrines

O colapso do comércio de rua não significa o fim do varejo, mas o fim de um modelo.
As cidades brasileiras estão se adaptando a um novo tempo, em que o consumo é digital e o espaço urbano se torna ambiente de experiência, serviço e convivência.

O varejo que sobreviverá será aquele que entender que o consumidor já não vai até a loja — ele leva a loja no bolso.