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Campos do Jordão,domingo, 23 de agosto de 2026
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Estudo da Unifesp aponta que obesidade infantil já provoca danos vasculares em crianças

O trabalho foi realizado com crianças atendidas em um Centro da Juventude na capital paulista

Estudo da Unifesp aponta que obesidade infantil já provoca danos vasculares em crianças

Uma pesquisa conduzida por cientistas da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) acendeu um sinal de alerta para a saúde pública: a obesidade infantil já pode provocar danos vasculares precoces, mesmo em crianças sem outros fatores clássicos de risco cardiovascular.

O estudo avaliou 130 crianças entre 6 e 11 anos e identificou sinais de inflamação e disfunção no endotélio — camada que reveste internamente os vasos sanguíneos e é considerada essencial para o equilíbrio do sistema cardiovascular. A pesquisa contou com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e foi publicada no International Journal of Obesity.

Processo inflamatório começa ainda na infância

Segundo a professora Maria do Carmo Pinho Franco, autora do estudo, os resultados demonstram que a obesidade não atua apenas como um fator cumulativo ao longo da vida.

“Já era conhecido que crianças com sobrepeso têm maior probabilidade de se tornarem adultos com doenças cardiovasculares. O que o estudo mostrou é que o processo de adoecimento começa ainda na infância, antes mesmo do surgimento de outros fatores de risco”, afirma.

As crianças avaliadas eram pré-púberes, não fumavam, não consumiam álcool e não apresentavam histórico prolongado de maus hábitos. O único fator identificado foi o excesso de peso.

Marcadores indicam dano vascular

Entre os principais achados está o aumento da expressão gênica da citocina inflamatória TNF-alfa, além da elevação de micropartículas endoteliais apoptóticas (EMPs), marcadores associados a dano celular no endotélio.

O estudo também mediu o Índice de Hiperemia Reativa (RHI), exame que avalia a função da microvasculatura. Crianças com sobrepeso e obesidade apresentaram pior desempenho no teste, além de alterações em indicadores como índice de massa corporal (IMC), circunferência da cintura e pressão arterial.

De acordo com os pesquisadores, a disfunção endotelial é considerada etapa inicial no desenvolvimento de doenças como aterosclerose, infarto e acidente vascular cerebral (AVC).

Pesquisa em campo e ações educativas

O trabalho foi realizado com crianças atendidas em um Centro da Juventude na capital paulista. As avaliações clínicas ocorreram no próprio local, com apoio de médicos, nutricionistas e enfermeiros voluntários. As análises laboratoriais foram conduzidas no Departamento de Biofísica da Escola Paulista de Medicina (EPM-Unifesp), incluindo extração de RNA e quantificação de marcadores inflamatórios por PCR.

Além da investigação científica, o projeto incluiu ações de conscientização alimentar. Merendeiras e responsáveis participaram de treinamentos para reduzir o uso de ultraprocessados e priorizar alimentos mais saudáveis no cardápio infantil.

Alerta para políticas públicas

Para os pesquisadores, os dados reforçam a necessidade de ampliar políticas públicas voltadas à prevenção da obesidade infantil, especialmente em comunidades em situação de vulnerabilidade socioeconômica.

Sem intervenção precoce, essas crianças podem evoluir para quadros de doenças cardiovasculares e metabólicas na vida adulta, aumentando a pressão sobre o sistema de saúde.

O estudo evidencia que a obesidade infantil deve ser tratada como questão de saúde estrutural e não apenas comportamental, uma vez que os impactos já podem ser observados nos primeiros anos de vida.

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