
A Casa da Xilogravura, em Campos do Jordão, abre ao público a exposição temporária “Xilogravuras de Guangxi – China”, uma mostra que resgata parte de uma coleção histórica formada por obras de artistas chineses e incorporada ao acervo do museu há mais de três décadas. A exposição pode ser visitada de 9 de julho a 28 de setembro de 2026, na sede do museu, na Vila Jaguaribe.
A mostra apresenta ao público uma seleção de xilogravuras ligadas à Região Autônoma de Guangxi, no sul da China, tendo como ponto de partida uma história de encontro artístico, intercâmbio cultural e preservação. As obras chegaram a Campos do Jordão por meio do artista plástico chinês Wei Zhi Ren, nascido em Nanning, capital de Guangxi, e que viveu por alguns anos no Brasil.
Segundo o professor, escritor e fundador da Casa da Xilogravura, Antonio F. Costella, a relação com Wei Zhi Ren começou em São Paulo, no início da década de 1990, durante uma feira de arte realizada aos domingos na Praça da República. Na ocasião, o artista chinês se aproximou de uma banca onde estavam expostas xilogravuras e tentou se comunicar apontando para as obras, para um folheto que carregava e para si próprio.
A dificuldade inicial de comunicação acabou se transformando em amizade. Wei Zhi Ren era xilógrafo, graduado pela Academia de Belas Artes de Guangzhou e diretor da Faculdade de Belas Artes de Nanning. A partir desse contato, Costella o levou a Campos do Jordão para conhecer a Casa da Xilogravura. Pouco tempo depois, o artista mandou vir da China uma coleção com obras de cerca de três dezenas de artistas, que foram expostas no museu em 1992.
Ao final daquela mostra, a Casa da Xilogravura adquiriu todas as obras e passou a integrá-las ao seu acervo permanente. Agora, 34 anos depois da primeira exposição, parte dessa coleção volta a ser exibida, permitindo que uma nova geração de visitantes tenha contato com trabalhos que aproximam Campos do Jordão da tradição gráfica chinesa.
Exposição valoriza intercâmbio entre Brasil e China

A nova mostra temporária reforça o papel da Casa da Xilogravura como um dos espaços culturais mais singulares de Campos do Jordão. Mais do que apresentar obras estrangeiras, a exposição evidencia como a xilogravura ultrapassa fronteiras geográficas e aproxima artistas de diferentes tradições, técnicas e contextos históricos.
A xilogravura é uma técnica de impressão feita a partir de uma matriz entalhada em madeira. O processo exige desenho, corte, domínio da superfície e impressão, criando imagens marcadas por contraste, textura e força expressiva. Em diferentes países, a técnica assumiu características próprias, dialogando com livros, cartazes, obras de arte, cultura popular, registros religiosos e produção editorial.
No caso da mostra de Guangxi, o visitante encontra uma produção vinculada a uma região do sul da China marcada por diversidade cultural e longa tradição histórica. Nanning, cidade natal de Wei Zhi Ren, é a capital da Região Autônoma de Guangxi e está situada às margens do rio Yong. Fundada no século X, a cidade aparece no relato de Costella como ponto de origem do artista que ajudou a criar uma ponte cultural entre a China e Campos do Jordão.
Essa ponte se consolidou quando a coleção chinesa passou a fazer parte do acervo da Casa da Xilogravura. A decisão de preservar as obras no museu jordanense fez com que uma experiência de amizade entre artistas se transformasse em patrimônio cultural disponível ao público.






Casa da Xilogravura é referência cultural em Campos do Jordão
A Casa da Xilogravura é um dos principais espaços de arte de Campos do Jordão e funciona em um prédio histórico localizado na Avenida Eduardo Moreira da Cruz, na Vila Jaguaribe. O museu é dedicado à preservação, estudo e divulgação da xilogravura, reunindo obras de artistas brasileiros e estrangeiros, além de materiais ligados à impressão gráfica.
Durante a mesma visita à exposição temporária “Xilogravuras de Guangxi – China”, o público também poderá conhecer outras mostras mantidas pelo museu. Nas demais salas, há exposições de longa duração com xilogravuras de diferentes artistas, gravuras utilitárias, livros, jornais, cartazes, baralho de tarô e outros materiais produzidos por meio de impressão xilográfica.
Outro destaque é a mostra “Magia da Multiplicação”, distribuída em duas salas específicas, que explica as relações da xilografia com outros ramos da multiplicação gráfica. A exposição reúne objetos e equipamentos ligados à linotipia, estamparia de chitas, gravura em metal, pedras litográficas, serigrafia e outras técnicas de reprodução de imagens e textos.
O museu também abriga uma tipografia completa de tipos móveis para composição manual, nos moldes da invenção de Gutenberg no século XV. Esse conjunto ajuda o visitante a compreender a evolução das técnicas de impressão e a importância da multiplicação gráfica para a circulação de conhecimento, arte e informação.
Além dessas mostras, a Casa da Xilogravura mantém espaços dedicados a temas como “A Xilo e os Índios”, “História deste Museu” e “Da Xilo ao Chip”, ampliando a experiência do visitante para além da exposição temporária.
Visita também inclui jardins e acervo permanente
A experiência na Casa da Xilogravura não se limita às salas internas. Os jardins do museu também podem ser visitados pelo público. Logo no jardim da frente, está um pequeno monumento com a efígie e os despojos do cão Chiquinho, símbolo da Editora Mantiqueira, que por muitos anos foi mantenedora do museu.
Esse detalhe reforça o caráter afetivo e autoral da Casa da Xilogravura. O espaço preserva obras, técnicas e histórias, mas também carrega memórias pessoais de seu fundador e de personagens que ajudaram a construir a trajetória do museu.
Para moradores de Campos do Jordão, visitantes da temporada de inverno e turistas interessados em cultura, a exposição chinesa oferece uma oportunidade de conhecer um acervo pouco comum dentro do circuito cultural da cidade. Em um período em que Campos do Jordão recebe grande fluxo de público por causa da programação de inverno, a mostra se apresenta como alternativa para quem busca uma experiência ligada à arte, à história e ao patrimônio cultural.
Serviço
Exposição temporária: Xilogravuras de Guangxi – China
Período: de 9 de julho a 28 de setembro de 2026
Local: Casa da Xilogravura
Endereço: Avenida Eduardo Moreira da Cruz, nº 295, Vila Jaguaribe, Campos do Jordão – SP
Horário de funcionamento: das 9h às 12h e das 14h às 17h, de quinta-feira a segunda-feira
Fechado: terças e quartas-feiras
Entrada: R$ 40
Meia-entrada: R$ 20 para idosos, professores e estudantes com carteirinha
Gratuito: menores de 12 anos e grupos previamente agendados de escolas gratuitas
Contato: (12) 3662-1832