
A Polícia Civil vai contar com reforço aéreo para combater o crime organizado em São Paulo. A Justiça autorizou que o helicóptero Airbus Helicopters EC130 T2 apreendido durante a Operação Falsa Las Vegas contra a lavagem de dinheiro seja utilizado para investigações policiais. Três veículos apreendidos na mesma operação também serão incorporados à frota da Polícia Civil.
“Nossa missão é retirar esse patrimônio das mãos dos criminosos, obtido de forma ilícita, e transformá-lo em instrumento de proteção da sociedade. Essa decisão representa exatamente esse propósito”, afirmou o delegado-geral de Polícia, Artur Dian. Avaliado em cerca de R$ 25 milhões, o helicóptero tem capacidade para até sete passageiros e possui alta tecnologia, atingindo 240 km/h em velocidade de cruzeiro.
Além de reforçar a segurança pública, a aeronave será empregada em ações de apoio operacional, transporte de medicamentos e órgãos para transplantes, entre outras missões de auxílio emergencial. Antes, porém, o Airbus vai passar por inspeções técnicas, revisões mecânicas e demais procedimentos exigidos pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC). Já os automóveis vão dar apoio ao setor de inteligência.
“Essa autorização é resultado direto da atuação integrada entre a Polícia Civil e o Ministério Público desde o início da investigação até os pedidos apresentados ao Poder Judiciário”, destacou Ronaldo Sayeg, delegado divisionário do Departamento Estadual de Investigações Criminais (DEIC), responsável pela Operação Falsa Las Vegas, deflagrada em 28 de maio.
Recupera SP
A autorização da Justiça foi obtida pelo programa Recupera SP, que tem como função evitar a deterioração de patrimônios apreendidos, mas sem transferir definitivamente a propriedade ao Estado. “O normal seria o helicóptero permanecer anos parado em um hangar, sem manutenção adequada, até perder valor. Agora, ele poderá ser utilizado pela Polícia Civil durante todo o andamento do processo e, caso haja condenação com perdimento dos bens, passará definitivamente ao patrimônio do Estado”, explicou o delegado Lawrence Tanikawa, coordenador do programa.
O Recupera SP já monitorou mais de R$ 136,2 milhões em bens e valores relacionados a investigações. Desse total, R$ 61,9 milhões já foram recuperados, sendo R$ 40,2 milhões em recursos financeiros e R$ 2,49 milhões incorporados em bens destinados ao Estado, incluindo imóveis, veículos, entre outros patrimônios apreendidos em operações.