O Clima de Campos do Jordão foi considerado por José Setzer, por volta de 1946, como mesotérmico médio, com verões brandos e sem estação seca.
Tudo começou no final do século 19, quando fazendeiros identificaram "propriedades terapêuticas" no clima de Campos na época, uma vila.
Da análise dos dados referentes às temperaturas no período de 1965 à 1974, pode-se afirmar que o clima de montanha de Campos do Jordão é do tipo tropical temperado, não apresentando nebulosidade úmida, ventos constantes ou chuvas excessivas.
O clima de altitude reúne um conjunto de condições particularmente favoráveis, representadas pela secura e pureza do ar, rarefação da atmosfera, favorecendo a ventilação pulmonar, intensidade de irradiação solar, mesmo no inverno, temperatura moderada no verão, condições essas que ativam as combustões internas, acoroçoam a hematopoise e aguçam as funções orgânicas: é um clima essencialmente, tônico, vivificante, qualidade esta apreciável, sobre tudo, nas estações invernosas, o que faz indicado na maior parte dos estados de enfraquecimento ou debilidade orgânica.
Em razão da grande redução da cobertura vegetal da região, sobretudo nas encostas entre Monteiro Lobato e Campos do Jordão, que, no passado, foram revestidas integralmente de matas, e que hoje, ao contrário, apresentam 9% de campos, operaram-se modificações no clima, no sentido correspondente, ou seja, para um clima mesotérmico com verões brandos e estação chuvosa no verão.
Este tipo de clima foi, pouco a pouco, ascendendo as encostas da Mantiqueira, culminando por imperar em toda a região. A alteração, nociva para a agricultura, no entanto revelou-se francamente benéfica nas áreas de tratamento de doenças pulmonares, onde se torna necessário o clima frio e seco.
Segundo Regnard, podemos classificar o clima de uma localidade, atenta à sua altitude, em uma das três zonas seguintes:
Assim sendo, fica Campos do Jordão na classe das estações de altitude e em condições superiores a Les Avante (1.000m), Caux (1.100m), Leisin (1.450m), Davos (1.558m), Zermat (1.620m) e St. Moritz (1.769 m), com exceção desta última.
O clima de Campos do Jordão, comparado à região alpina de Davos Platz na Suíça, acusou supremacia nos graus de nebulosidade, nas taxas de insolação, oscilações térmicas e nos índices de precipitação pluviométrica.
A nebulosidade média em Davos Platz era de cerca de 6% mais elevada. No que tange aos dias claros, as pesquisas deram 52% de dias claros para Campos do Jordão, enquanto que em Davos Platz verificou-se apenas 41%.
As diferenças de temperaturas médias do mês mais quente para o mês mais frio, não foram além de 8ºC em Campos do Jordão, ao contrário daquela cidade Suíça, em que as diferenças chegaram a 20ºC.
O teor de oxigenação e ozônio de Campos do Jordão foi considerado superior ao de Chamonix, famosa estância francesa, pela pureza de seu ar, a 2.800 m de altitude.
No Congresso de Climatologia, realizado em Paris, em 1957, o clima de Campos do Jordão foi considerado o melhor do mundo.
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Este clima aparece acima das cotas altimétricas de 1.600 metros das "Serras" do Mar, Caparaó e Mantiqueira. Nestas restritas áreas, o constante resfriamento adiabático do ar não permite calor, nem mesmo no Verão. Nelas jamais registrou-se temperatura superior a 30°C. A média dos meses mais "quentes" é inferior a 17°C e a média anual é, juntamente com as verificadas nos planaltos de São Joaquim e de Palmas (no Sul do Brasil), a mais baixa do Brasil, sendo inferior a 14°C. Neste clima há, pelo menos, 1 mês com temperatura média inferior a 10°C.
Tomando por exemplo as estações meteorológicas de Campos do Jordão (1.600m de altitude) e do alto Itatiaia (2,199m de altitude, esta situada em nível altimétrico mais alto do Brasil), verifica-se o seguinte: em Campos do Jordão a média anual é de 13,6°C e no alto Itatiaia é de 11,5°C. O mês mais "quente" (janeiro) apresenta os seguintes valores: média compensada de Campos do Jordão, 16,9°C, do alto Itatiaia, 13,6°C; em Campos do Jordão registram médias compensadas inferiores a 15°C de abril a outubro, e em todos os meses no alto Itatiaia; em Campos do Jordão os meses de junho/julho apresentam médias compensadas inferiores a 10°C, descendo a 8,9°C no mês de julho, enquanto que no alto Itatiaia a média compensada inferior a 10°C se dá de maio a agosto, descendo a 8,4°C em julho; em Campos do Jordão a média das mínimas diárias é inferior a 4°C durante o Inverno, descendo a 1,8°C no soistício de julho, enquanto que no alto Itatiaia o Inverno possui média das mínimas diárias inferior a 6°C, descendo a 5, PC no solstício de julho; em Campos do Jordão, de abril a outubro já foram registradas temperaturas mínimas inferiores a 0°C, tendo caído a 7,2°C abaixo de zero em 14/06/1948, enquanto que no alto Itatiaia já registraram-se mínimas abaixo de zero de maio a novembro, tendo caído a 6°C negativos em 2/7/1918.
Nessas estações o número de dias de ocorrência de geada é o mais elevado do País: em média, se verificam 46 dias de geada durante o ano em Campos do Jordão e 56 dias no alto Itatiaia.
Daí se conclui que, em termos de condições médias anuais, estas áreas ou mais precisamente estes locais, pelas suas elevadas altitudes, possuem o clima mais frio do Brasil.
Compreende as superfícies mais elevadas do sul de Minas Gerais, da serra do Espinhaço, das "Serras" do Mar e Mantiqueira. Trata-se, pois, de um clima cujo predomínio de temperaturas amenas durante todo ano (a média anual varia em tomo de 19 a 18°C) é devido principalmente à orografía. Com efeito, do centro de Minas Gerais ao extremo da Região Sudeste, este clima aparece acima das seguintes cotas altimétricas: 1.000 a 900m no Espinhaço; 900m no sul de Minas Gerais; 800 a 700m no Caparaó; 700m na escarpa da Mantiqueira e na Serra do Mar.
Em quase todas estas áreas o Verão é brando e o mês mais quente acusa média inferior a 22°C, predominando entre 20 e 18°C. Entretanto, o Inverno é bastante sensível e possui pelo menos um mês com temperatura média inferior a 15°C, porém nunca descendo abaixo de 10°C. Em junho/julho, seus meses mais frios, são comuns mínimas diárias de 0°C, motivo pelo qual a média das mínimas nestas áreas varia, nestes meses, em torno de 8 a 6°C.
O fenômeno da geada é aí também muito comum, principalmente nas áreas menos sujeitas à influência marítima, como é o caso do sul de Minas Gerais e do extremo sul de São Paulo, cuja média de ocorrência de geada durante o ano varia, sobretudo, de 5 a 20 e de 5 a 10 dias, respectivamente. Nestas áreas já se registrou mínima absoluta de 4°C abaixo de zero.