
O turismo movimentou R$ 12,2 bilhões na economia da cidade do Rio de Janeiro entre janeiro e abril de 2026, segundo levantamento elaborado pelas secretarias municipais de Desenvolvimento Econômico e de Turismo, em parceria com a Riotur.
O resultado representa crescimento real de 3,2% em comparação com o mesmo período de 2025. Na prática, foram R$ 374,5 milhões adicionais circulando em hotéis, restaurantes, bares, atrações turísticas, transportes, lojas e outros serviços ligados à presença dos visitantes na capital fluminense.
Nos quatro primeiros meses do ano, o Rio recebeu aproximadamente 4,5 milhões de turistas. Desse total, 3,5 milhões, o equivalente a 78%, eram visitantes nacionais. Outros 990,4 mil vieram do exterior e representaram 22% do fluxo registrado no período.
Os dados reforçam o peso do turismo na economia carioca e mostram como o setor distribui recursos por diferentes atividades, desde a rede hoteleira até o comércio, a gastronomia, o entretenimento e os serviços de transporte.
Hospedagem concentrou R$ 5 bilhões
A maior parcela dos gastos dos turistas ficou com hospedagem e alojamento. O segmento respondeu por 40% de toda a movimentação econômica calculada no estudo, alcançando cerca de R$ 5 bilhões entre janeiro e abril.
O desempenho reflete a importância da rede hoteleira, dos hostels, dos apartamentos por temporada e das demais modalidades de acomodação para a economia do destino.
Além do valor das diárias, a presença dos hóspedes movimenta serviços complementares, como limpeza, manutenção, alimentação, recepção, lavanderia, transporte, agências de viagens e fornecedores de diferentes setores.
Bares e restaurantes aparecem na segunda posição, com R$ 2,9 bilhões, correspondentes a 24,9% do impacto econômico total. O resultado confirma a gastronomia como um dos principais componentes da experiência turística no Rio de Janeiro.
A oferta vai dos restaurantes de alta gastronomia aos bares tradicionais, quiosques, lanchonetes, cafés, feiras e estabelecimentos ligados à culinária popular carioca. Esse consumo beneficia diretamente empresários, trabalhadores, produtores e fornecedores de alimentos e bebidas.
Lazer e entretenimento movimentaram R$ 1,9 bilhão
As despesas com entretenimento e lazer chegaram a R$ 1,9 bilhão, representando 15,9% dos gastos dos turistas.
A categoria reúne festas, eventos, atrações culturais, passeios, museus, experiências turísticas e ingressos para pontos conhecidos da cidade. O calendário de grandes eventos, os atrativos naturais e a programação cultural ajudam a manter o fluxo de visitantes durante diferentes períodos do ano.
O Rio combina praias, montanhas, áreas verdes, patrimônio histórico, museus, vida noturna e equipamentos reconhecidos internacionalmente, como o Cristo Redentor e o Bondinho do Pão de Açúcar.
A diversificação da oferta permite que a cidade receba públicos com diferentes interesses e faixas de renda, além de ampliar a permanência e o consumo dos visitantes.
Os gastos com transporte e deslocamento somaram R$ 879,2 milhões, equivalentes a 7,4% do total. O cálculo inclui despesas relacionadas à circulação pela cidade e aos serviços utilizados durante a estadia.
Compras de vestuário, lembranças e outros produtos movimentaram R$ 595,3 milhões, ou 4,5% do impacto calculado. As demais despesas, como combustíveis, telecomunicações e alimentos consumidos fora de bares e restaurantes, chegaram a R$ 865,3 milhões, representando 7,3%.
Turista estrangeiro apresenta gasto médio maior
Para calcular o impacto econômico do turismo, o estudo considerou um gasto médio de R$ 2.195 por visitante brasileiro. O valor foi atualizado para abril de 2026 e corrigido pela inflação medida pelo IPCA.
No caso dos visitantes internacionais, o gasto médio utilizado foi de R$ 4.516, mais que o dobro da média atribuída aos turistas nacionais. A estimativa levou em conta a conversão em dólar e a taxa de câmbio correspondente ao período analisado.
A diferença ajuda a explicar a relevância estratégica do turismo internacional. Embora os estrangeiros tenham representado 22% dos visitantes registrados entre janeiro e abril, seu gasto médio mais elevado amplia a participação desse público na economia da cidade.
Os dados de fluxo foram reunidos pelo Observatório do Turismo Carioca, ligado à Secretaria Municipal de Turismo. Já a estimativa da movimentação econômica teve como referência estudos econômicos sobre o turismo doméstico e internacional.
Crescimento amplia renda em diferentes setores
Segundo a Prefeitura do Rio, a cidade vem aumentando sua capacidade de atrair visitantes brasileiros e estrangeiros, inclusive em períodos tradicionalmente considerados de menor movimento.
Esse crescimento produz efeitos que ultrapassam os estabelecimentos diretamente turísticos, ampliando oportunidades de trabalho e renda em diferentes setores.
O avanço também está relacionado ao trabalho de promoção do destino e ao fortalecimento do calendário de eventos, com reflexos em toda a cadeia econômica ligada ao turismo.
Gastronomia, moda, esporte e turismo de aventura estão entre os segmentos que ajudam a diversificar as experiências oferecidas aos visitantes.
A estratégia procura apresentar o Rio para além dos cartões-postais mais conhecidos, aproximando os turistas do cotidiano, dos bairros e das diferentes manifestações culturais da cidade.
Turismo internacional avança no Rio
O aumento da participação dos estrangeiros acompanha uma tendência observada no ano anterior. Em 2025, o Rio de Janeiro recebeu 12,5 milhões de turistas, sendo 10,5 milhões de visitantes nacionais e 2,1 milhões de estrangeiros.
A movimentação econômica anual chegou a R$ 27,2 bilhões. Os visitantes brasileiros responderam por R$ 19,5 bilhões, enquanto o turismo internacional movimentou R$ 7,8 bilhões.
Mesmo representando uma parcela menor do fluxo total, os estrangeiros tiveram participação de 28,5% no impacto econômico do turismo em 2025.
O número de visitantes internacionais também havia aumentado 44,8% naquele ano, reforçando a recuperação das viagens internacionais e a relevância das rotas aéreas para o crescimento do setor.
Em 2025, a arrecadação municipal de ISS relacionada a hospedagem, viagens e atividades semelhantes chegou a R$ 315,2 milhões, em valores corrigidos pela inflação. O montante ficou 14,3% acima do registrado no ano anterior.
Eventos ajudam a distribuir visitantes ao longo do ano
Além das férias, do Carnaval e do Réveillon, o Rio tem investido em um calendário formado por shows, eventos esportivos, feiras, congressos e atividades culturais.
Essa programação ajuda a reduzir a dependência das temporadas tradicionais e mantém hotéis, restaurantes e atrações movimentados durante meses historicamente mais fracos.
Grandes eventos também geram demanda por transporte, segurança, alimentação, produção, comunicação, manutenção e contratação temporária.
Ao mesmo tempo, o crescimento do fluxo turístico aumenta a necessidade de investimentos em mobilidade, limpeza urbana, conservação dos espaços públicos, segurança, atendimento e infraestrutura aeroportuária.
A integração entre o Aeroporto Internacional Tom Jobim, o RIOgaleão, e o Aeroporto Santos Dumont é considerada importante para sustentar o aumento das viagens nacionais e internacionais.
A retomada de voos e rotas internacionais contribuiu para ampliar o acesso à cidade e recuperar o movimento do principal aeroporto internacional fluminense.
Inverno deve manter turismo aquecido
A expectativa é de que o turismo continue movimentando a economia carioca ao longo do inverno de 2026.
A estimativa é de que a estação possa gerar R$ 7,4 bilhões e atrair aproximadamente 2,8 milhões de turistas. Caso a projeção se confirme, o resultado representará crescimento real de 7,8% em comparação com o inverno de 2025, quando a movimentação foi estimada em R$ 6,9 bilhões.
O período reúne temperaturas mais amenas, maior visibilidade em alguns pontos turísticos e uma agenda de eventos que mantém o Rio entre os destinos mais procurados do país.
Os números dos quatro primeiros meses indicam que o turismo permanece como um dos motores da economia da capital fluminense. Com R$ 12,2 bilhões movimentados e 4,5 milhões de visitantes, o setor demonstra capacidade de gerar renda em diferentes áreas e de manter impacto relevante mesmo fora dos momentos mais tradicionais da alta temporada.