
O primeiro dia de palestras do 9º Conexidades, realizado em Campos do Jordão, reuniu no Campos Hall uma ampla programação voltada aos principais desafios da gestão pública municipal. A agenda marcou o início dos painéis temáticos da edição 2026 e contou com a participação de gestores públicos, secretários estaduais, especialistas, lideranças municipalistas e representantes de diferentes setores.
Ao longo da programação, os debates passaram por temas como autismo e inclusão, mudanças climáticas, inovação na gestão pública, reforma tributária, habitação, planejamento urbano, cooperação com conselhos profissionais, cultura descentralizada e protagonismo feminino.
A diversidade dos assuntos reforçou a proposta do Conexidades de aproximar municípios, Estado, iniciativa privada e sociedade civil em torno de soluções práticas para melhorar os serviços públicos e fortalecer o desenvolvimento local.
Inclusão e políticas públicas para pessoas autistas abriram os debates
O primeiro painel teve como tema “Autismo e inclusão: acolher não é adaptar, é compreender”. A discussão abriu a agenda de palestras do Conexidades 2026 e reuniu nomes ligados à gestão pública, educação, pesquisa e defesa dos direitos das pessoas com deficiência.
A mediação foi feita por Fabiano Soares, vereador de Holambra e presidente da Comissão do Direito das Pessoas com Deficiência no Circuito das Águas Paulista, que também é uma pessoa autista. Em sua fala, ele destacou que a presença de pessoas autistas em espaços de liderança representa uma transformação importante na sociedade e reforçou que políticas públicas efetivas são mais importantes do que ações simbólicas em datas comemorativas.
O painel também apresentou experiências como o Centro TEA Paulista, serviço gratuito de acolhimento, orientação e atendimento especializado, que atua com profissionais de diversas áreas e atende desde crianças pequenas até adultos. A pauta reforçou a importância da escuta, do acolhimento e da integração entre saúde, educação, assistência social e empregabilidade inclusiva.
Mudanças climáticas entram na agenda dos municípios
Outro destaque da programação foi o painel “O clima mudou. E a gestão pública?”, que colocou em debate a necessidade de os municípios se prepararem para eventos extremos, como enchentes, incêndios, ondas de calor, secas e desastres ambientais.
O secretário de Mudanças Climáticas da cidade de São Paulo, José Renato Nalini, alertou que a crise climática já afeta diretamente as cidades brasileiras e defendeu que os municípios criem estruturas específicas ou conselhos voltados ao tema. Ele também destacou ações como ampliação de áreas verdes, jardins de chuva, ônibus elétricos, ciclovias, coleta seletiva, ecopontos e bueiros ecológicos.
A Defesa Civil do Estado de São Paulo apresentou ações de modernização, capacitação de agentes, uso de tecnologia, inteligência artificial e monitoramento por satélite para fortalecer a resposta a eventos extremos. O painel mostrou que a adaptação climática deixou de ser uma pauta futura e passou a ser uma necessidade imediata para a gestão pública.
Inovação e compras públicas como ferramentas de transformação
A inovação na gestão pública também teve espaço central no primeiro dia de palestras. O painel “Inovação em Governos: como as compras públicas de inovação podem impulsionar a competitividade territorial” discutiu como municípios podem usar novas ferramentas jurídicas e tecnológicas para resolver problemas complexos.
Entre os temas abordados esteve o Marco Legal das Startups, que permite à administração pública contratar soluções inovadoras a partir dos desafios enfrentados, sem precisar definir previamente qual tecnologia será usada.
Representantes de municípios como Olímpia, Vinhedo e Mogi das Cruzes compartilharam experiências relacionadas à modernização administrativa, integridade, empreendedorismo, inovação aberta, integração de dados e melhoria dos serviços públicos. Um dos pontos em comum foi o papel do Catalisa Gov, iniciativa do Sebrae que apoia governos na contratação de soluções inovadoras com mais segurança jurídica.
Reforma Tributária preocupa municípios e exige preparação
A Reforma Tributária foi outro tema de forte impacto para os gestores municipais. O painel “Reforma Tributária: O Novo Brasil Fiscal e os Impactos Reais nos Municípios Brasileiros” discutiu as mudanças trazidas pela Emenda Constitucional 132/2023 e pela Lei 214/2025.
A principal mensagem do debate foi que a reforma já está em andamento e mudará profundamente a lógica de arrecadação dos municípios. Com a transição prevista entre 2026 e 2032, tributos como ISS e ICMS serão substituídos por novos instrumentos, como CBS, IBS e Imposto Seletivo. A partir de 2033, ISS e ICMS deixarão de existir.
O painel destacou que a arrecadação passará a seguir a lógica do destino, ou seja, onde está o consumidor, e não apenas onde a empresa está instalada. Isso pode afetar municípios industriais, mas também abrir oportunidades para cidades turísticas, desde que tenham organização, dados qualificados e gestão tributária profissionalizada.
Também foi ressaltado que educação e preservação ambiental passarão a influenciar a distribuição de recursos, tornando ainda mais importante a modernização administrativa das prefeituras.
Habitação, investimento e planejamento urbano em pauta
O painel “Desenvolvimento urbano na prática: investimento, habitação e sustentabilidade” reuniu representantes do Governo do Estado, prefeitos e especialistas para discutir como as cidades podem crescer com mais planejamento, infraestrutura e qualidade de vida.
O secretário estadual de Desenvolvimento Urbano e Habitação, Marcelo Branco, destacou que a habitação precisa ser tratada de forma integrada ao planejamento urbano, envolvendo mobilidade, infraestrutura e qualificação dos espaços públicos. Segundo ele, o Estado entregou 86 mil moradias nos últimos três anos e ampliou os investimentos no setor.
Já o secretário estadual de Parcerias em Investimentos, Rafael Benini, defendeu o uso de PPPs e concessões como ferramentas para atrair investimentos, melhorar equipamentos públicos e apoiar municípios na implantação de projetos estratégicos.
Conselhos profissionais reforçam cooperação com as cidades
A atuação dos conselhos profissionais também entrou na programação do primeiro dia de palestras com o painel “Como os Conselhos Impactam a Qualidade das Cidades”. O debate mostrou que essas entidades podem ir além da fiscalização profissional e atuar como parceiras dos municípios na formulação de políticas públicas, capacitação de equipes e melhoria dos serviços oferecidos à população.
Foram apresentadas experiências nas áreas de biomedicina, fisioterapia, terapia ocupacional, farmácia, arquitetura e urbanismo. Um dos exemplos citados foi a cooperação técnica em mais de 260 municípios paulistas, com implantação de protocolos para aprimorar serviços de saúde e reduzir filas em áreas como fisioterapia e terapia ocupacional.
Cultura descentralizada encerrou a programação de painéis
O último painel do primeiro dia de palestras teve como tema “Cultura em todo território: as atividades formativas e linguagens culturais descentralizadas por todo o Estado de São Paulo”.
A secretária estadual da Cultura, Economia e Indústria Criativas, Marília Marton, destacou a importância de levar políticas culturais a todos os municípios paulistas, conectando cultura, desenvolvimento econômico, turismo, agricultura e esporte. Também foram citados programas como o CULTSP PRO, voltado à formação de profissionais da economia criativa, e sistemas como o SISEM e o SisEB, ligados a museus, bibliotecas e leitura.
O CULTSP PRO, segundo o painel, já alcançou mais de 8 mil alunos e chegou a mais de 400 cidades, com ações voltadas à qualificação profissional do setor cultural. Também foi anunciado o lançamento de curso de design de games em seis municípios, incluindo Pindamonhangaba.
Conexidades Mulher destaca autonomia, representatividade e proteção

A programação também marcou a abertura da 4ª edição do Conexidades Mulher. A cerimônia teve como tema a música “Força Estranha”, de Caetano Veloso, interpretada pela cantora Luana Camarah.
A abertura reuniu lideranças femininas de diferentes áreas e reforçou a importância de ampliar a participação das mulheres nos espaços de decisão, gestão pública, economia, esporte, agro, empreendedorismo e políticas sociais. A primeira-dama de Campos do Jordão, Alessandra Cristina de Oliveira, também participou da abertura e destacou a visibilidade que o evento traz para a cidade.
Na sequência, o painel “Autonomia que Liberta: Independência Financeira, Justiça e Proteção às Mulheres” discutiu educação financeira, empreendedorismo, combate à violência patrimonial e psicológica, representação feminina na política e fortalecimento das mulheres nos municípios.
A discussão reuniu nomes como Nathalia Arcuri, Diva Zitto, Adriana Ramalho e Cléo Furquim, com mediação de Marta Lívia Suplicy. O debate mostrou que a independência financeira da mulher está diretamente ligada à segurança, liberdade, cidadania e proteção contra diferentes formas de violência.
Campos do Jordão se consolida como palco do debate municipalista

O resumo do primeiro dia de palestras do 9º Conexidades mostra a amplitude da programação realizada em Campos do Jordão. Mais do que reunir autoridades e especialistas, o evento colocou em discussão temas que impactam diretamente a rotina das cidades e a vida da população.
Com debates técnicos, sociais e estratégicos, o Conexidades reforça o papel dos municípios na construção de políticas públicas mais eficientes, inclusivas e sustentáveis.
Em Campos do Jordão, o evento segue como um espaço de conexão entre gestão pública, inovação, desenvolvimento regional e cooperação institucional, consolidando a cidade como palco de um dos principais encontros municipalistas do Estado de São Paulo.