
Uma homenagem a Tonico e Tinoco abre a Mostra Violas Brasileiras: Da Raiz ao Contemporâneo nesta quinta-feira, 22 de outubro, às 18h, no Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo. A programação tem entrada gratuita e reúne doze shows, uma oficina e uma masterclass, distribuídos por seis dias: 22, 23, 24, 29, 30 e 31 de outubro. Os ingressos são necessários para entrar no teatro, mesmo sem cobrança.
A segunda edição da mostra chega à capital depois de passar por Belo Horizonte, Brasília e Rio de Janeiro. O roteiro aproxima a música caipira de outras tradições: há fandango do litoral sul paulista, música regional gaúcha, repertório armorial, cantos de trabalho e encontros com a viola da gamba. A proposta artística é apresentar essa diversidade por meio de músicos de diferentes gerações, sem restringir a programação a um único formato de show.
O evento é idealizado pelo produtor cultural Júlio José e tem direção artística de Ivan Vilela, violeiro, compositor e pesquisador. A realização reúne o Projeto Violas Brasileiras, o Ministério da Cultura e o Banco do Brasil, com incentivo da Lei Rouanet, conforme a organização. O CCBB recebe as atividades em seu teatro, no terceiro andar do edifício da Rua Álvares Penteado, no Centro Histórico.
Abertura reúne memória da música caipira e fandango
O espetáculo Tonico e Tinoco: uma história cantada começa às 18h de quinta-feira. Zeka Peres, filho de Tinoco e radialista, conduz a narração com memórias da dupla e histórias de bastidores. Gerson Ramos e Tarcísio Manuvéi ficam responsáveis pelas vozes e violas. Entre as músicas anunciadas estão Chico Mineiro, Beijinho Doce e Moreninha Linda, associadas ao repertório que atravessou gerações de ouvintes da música caipira.
Às 19h30, o palco passa ao fandango caiçara com Cleiton Prado e o Grupo Manema, de Iguape, acompanhados de Rodolfo Vidal, mestre de Cananéia. A apresentação se volta ao repertório do litoral sul de São Paulo. Assim, a abertura coloca lado a lado dois núcleos da programação: a história de uma dupla ligada ao interior e uma manifestação musical preservada por comunidades caiçaras.
Sexta-feira traz repertório autoral e viola da gamba
Na sexta-feira, 23, o primeiro show será de Julio Santin, às 18h. Nascido em Irapuru, no interior paulista, ele é violeiro, compositor e luthier. O repertório instrumental autoral reúne referências de músicos como Tião Carreiro, Almir Sater e Renato Andrade, segundo a apresentação do artista divulgada pelo CCBB. A programação permite acompanhar a viola como instrumento de composição e interpretação, além de seu uso no acompanhamento do canto.
Às 19h30, Francisco Andrade, na viola caipira, Letícia Torança, na voz, e Rainer Patriota, na viola da gamba, apresentam um encontro entre pesquisa, criação e interpretação. A formação põe em diálogo instrumentos de trajetórias diferentes e o canto. O trio integra a seleção de artistas que trabalha com repertórios brasileiros e com a aproximação entre tradições musicais, uma das linhas anunciadas pela direção artística para esta edição.
Primeiro sábado começa com oficina e roda de prosa
O sábado, 24, terá três atividades. Às 15h, Rodrigo Caçapa conduz oficina e roda de prosa sobre a pesquisa reunida em seu livro Um Inventário das Violas, das Cantorias e dos Sambas Nortistas — de 1800 a 1930. Músico, compositor, arranjador e pesquisador de Recife, ele desenvolve cursos e encontros dedicados a esse campo. É uma das ações formativas da mostra, ao lado da masterclass marcada para o encerramento.
Às 17h, Valdir Verona e Rafa De Boni, de Caxias do Sul, apresentam viola e acordeon. O duo se dedica à música regional do Sul do Brasil, com repertório que inclui milonga, chamamé, chacarera e tango. Às 19h30, o Grupo Madureira Armorial encerra a primeira semana. Fundado pelo multi-instrumentista paraibano Gilber Souto Maior, o conjunto reúne viola, violino, violão, flauta e percussão em uma apresentação ligada ao legado de Antonio Madureira e ao Movimento Armorial.
Segunda semana aproxima gerações e cantos de trabalho
Depois do intervalo entre as duas semanas, a programação retorna na quinta-feira, 29. Às 18h, Mel Moraes apresenta um show solo de viola. Natural de Socorro, no interior de São Paulo, a cantora, compositora e violeira integra a nova geração do instrumento. A organização destaca em sua trajetória premiações como o Concurso de Viola SP e reconhecimentos no Revelando São Paulo e no Festival Viola da Terra.
Na mesma noite, às 19h30, Dani Lasalvia e Fernando Guimarães se encontram em um espetáculo voltado ao cancioneiro popular brasileiro. Dani é multi-instrumentista e pesquisadora do universo de Dércio Marques; Fernando é violeiro e pesquisador das tradições populares do interior paulista. Na sexta, 30, às 18h, Vini Muniz recebe as Rendeiras da Aldeia, coletivo de mulheres que preserva a renda renascença e os cantos de trabalho da Aldeia de Carapicuíba.
A sexta-feira continua às 19h30 com a Família Garfunkel. Liderada pelo compositor, poeta e intérprete Jean Garfunkel, a formação reúne diferentes gerações em uma apresentação com viola caipira, violão, baixo, flauta, percussão e vozes. O espetáculo integra a vertente da mostra dedicada aos encontros entre a canção brasileira, a poesia e as tradições populares. Não haverá programação diária entre 22 e 31: as atividades se concentram nas duas sequências de quinta a sábado.
Encerramento tem masterclass, Ivan Vilela e show de Neymar Dias com Cláudio Lacerda
O último dia, sábado, 31, começa às 15h com uma masterclass de Junior da Violla. Violeiro, pesquisador e professor, ele apresenta a evolução do instrumento em um encontro didático e musical. Às 17h, o palco recebe Ivan Vilela, diretor artístico da mostra, professor da Escola de Comunicações e Artes da USP e criador da Orquestra Filarmônica de Violas. A participação reúne seu trabalho de intérprete e sua trajetória de pesquisa.
Neymar Dias e Cláudio Lacerda fazem o show final às 19h. A dupla aproxima a cultura caipira da música de câmara contemporânea, com viola, violão e voz. Neymar tem trabalhos indicados ao Grammy Latino, enquanto Cláudio foi premiado como intérprete da viola caipira, conforme a organização. O horário do último show é diferente das apresentações das noites anteriores, que em geral começam às 19h30.
Como retirar ingresso e chegar ao CCBB
Os espetáculos têm classificação livre. A bilheteria oficial informa liberação dos ingressos uma hora antes do início do evento do dia, presencialmente e pelos canais digitais do CCBB. Para oficina e masterclass, a orientação da assessoria é acompanhar a retirada no site. A gratuidade não dispensa o ingresso para acessar o teatro; consulte a disponibilidade de cada atividade na página oficial da mostra.
O CCBB fica a cerca de cinco minutos a pé da estação São Bento do Metrô, segundo o serviço divulgado pela instituição. Há entrada acessível pela porta lateral à esquerda da principal. O centro cultural também informa traslado gratuito a partir da Rua da Consolação, 228, com parada no Metrô República na volta. O funcionamento geral do edifício é das 9h às 20h, exceto às terças-feiras; isso não altera os horários próprios dos espetáculos.
Serviço
- Mostra Violas Brasileiras: Da Raiz ao Contemporâneo.
- Datas: 22, 23, 24, 29, 30 e 31 de outubro de 2026.
- Local: Teatro do CCBB São Paulo, terceiro andar — Rua Álvares Penteado, 112, Centro Histórico.
- Entrada gratuita, mediante ingresso. Classificação livre.
- Informações: (11) 4297-0600 e bb.com.br/cultura.
- Programação e regras de retirada conferidas em 19 de outubro de 2026.