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São Paulo,quarta-feira, 21 de outubro de 2026
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Do campo ao prato: pesquisa paulista conecta gastronomia e valorização dos alimentos

APTA Regional apresenta trabalhos com pupunha, cacau, banana, cogumelos e queijos; iniciativas aproximam pesquisa, produção rural e consumo.

Daniel Gomes apresenta palestra sobre gastronomia na Semana da Alimentação.
Daniel Gomes durante apresentação na Semana da Alimentação de 2026. Foto: Marco/Divulgação APTA Regional.

A pesquisa agropecuária paulista está olhando para uma etapa que começa depois da colheita: a maneira como os alimentos são apresentados, preparados e reconhecidos por quem os consome. Em material divulgado nesta segunda-feira, 19 de outubro, a APTA Regional detalhou trabalhos com pupunha, cacau, banana, cogumelos e queijos artesanais. A proposta é aproximar conhecimento científico, produção rural e gastronomia, com atenção à qualidade dos produtos e às possibilidades de comercialização.

Os exemplos foram apresentados durante a Semana da Alimentação de 2026, em São Paulo. A participação da instituição no SAA Conecta SP, em 15 de outubro, também foi registrada pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento. O encontro discutiu cadeias produtivas, segurança alimentar e abastecimento escolar. Para além da programação já encerrada, os projetos mostram diferentes caminhos pelos quais uma matéria-prima agrícola pode ganhar novas aplicações e chegar a outros públicos.

O que muda quando a pesquisa considera quem vai consumir

Segundo o coordenador da APTA Regional, Daniel Gomes, estudar o alimento somente a partir da produção deixa de fora parte importante de sua trajetória. Entre a propriedade e a mesa existem escolhas de processamento, conservação, apresentação e preparo. Também pesam os hábitos de quem compra, as referências culturais e a familiaridade com determinados ingredientes. A gastronomia entra nessa discussão como uma forma de compreender a relação entre produto e consumidor.

A instituição informa que essa investigação pode combinar análises sensoriais, estudos químicos e pesquisas de mercado. São ferramentas diferentes: observar características percebidas no consumo não é o mesmo que conhecer a composição de um alimento ou identificar a procura por ele. O trabalho apresentado aproxima essas perspectivas para discutir usos e oportunidades. A pesquisa não estabelece, por si só, preço de venda nem garante aumento de renda para cada produtor.

Pupunha: produção agrícola e possibilidades na cozinha

Entre os produtos levados ao evento estava o palmito pupunha, da espécie Bactris gasipaes. De acordo com a APTA Regional, a planta apresenta precocidade produtiva e capacidade de rebrotar após o corte. A instituição destaca ainda características culinárias como sabor suave, textura macia e conservação. Essas particularidades ajudam a explicar por que o mesmo produto pode ser estudado tanto do ponto de vista do cultivo quanto de suas aplicações no preparo de alimentos.

Os trabalhos citados concentram atenção no Vale do Ribeira, onde a APTA Regional oferece apoio técnico a pequenos e médios produtores. A instituição apresenta o cultivo regulamentado de pupunha como uma alternativa econômica capaz de contribuir para reduzir a pressão sobre a juçara. Isso exige distinguir as espécies e suas formas de produção: a presença de palmito em um cardápio não informa, sozinha, qual planta foi utilizada nem como o produto foi obtido.

Cacau e banana: a qualidade começa antes da receita

No caso do cacau, a apresentação incluiu amêndoas fermentadas e secas e sua transformação em chocolate. O exemplo permite acompanhar uma cadeia em que o resultado final depende de várias etapas, e não apenas do preparo na cozinha. Segundo a instituição, o desenvolvimento de cultivares e o aprimoramento da matéria-prima fazem parte das pesquisas voltadas a ampliar as possibilidades de uso e a atender mercados com exigências específicas de qualidade.

A banana também integrou a exposição da APTA Regional. Ao reunir produtos distintos, a mostra tratou a gastronomia como parte de uma discussão mais ampla sobre o aproveitamento da produção paulista. Eduardo Fuzitani, diretor da unidade de Pariquera-Açu, relacionou a integração entre pesquisa e produção a oportunidades para agricultores, chefs e empreendedores. Trata-se da avaliação do responsável pela unidade, e não de um resultado financeiro já medido para todos os participantes dessas cadeias.

Cogumelos e os hábitos que influenciam a procura

Daniel Gomes também apontou os cogumelos entre os alimentos com potencial de expansão. A APTA Regional associa o interesse ao uso gastronômico e às características nutricionais estudadas pela pesquisa. Esse potencial, entretanto, encontra um desafio que não se resolve apenas produzindo mais: a aceitação de um ingrediente depende de referências culturais, formas de preparo conhecidas e oportunidades de experimentação. A apresentação de novos usos pode ampliar esse repertório sem substituir informação técnica.

Em comunicação institucional sobre a Agrishow de 2026, a Secretaria de Agricultura já havia destacado pesquisas da unidade de Monte Alegre do Sul relacionadas à cadeia dos cogumelos. Naquela ocasião, também apresentou um projeto de rizicultura em Pindamonhangaba, envolvendo agricultores familiares do Vale do Paraíba. São frentes distintas de pesquisa. Sua existência não significa que os produtos estejam disponíveis em todos os restaurantes da região nem que haja um roteiro de visitação aberto ao público.

Queijos artesanais: conhecimento técnico e identidade regional

A trajetória dos Centros de Referência Queijeira foi outro tema apresentado pela APTA Regional. Segundo a instituição, essas estruturas aproximam capacitação, tradição produtiva e melhoria de qualidade. A pesquisadora Maria Isabel de Medeiros, da unidade de Bauru, destacou a formação de produtores e técnicos e a diversidade de tecnologias e períodos de maturação. O foco está em desenvolver competências para trabalhar o leite e os queijos, preservando as particularidades de cada produção.

O projeto de cooperação Brasil–França para a queijaria artesanal paulista, divulgado oficialmente em janeiro, reúne APTA Regional, Instituto de Tecnologia de Alimentos, Instituto de Zootecnia, Defesa Agropecuária e Centro Paula Souza, entre outros participantes. A iniciativa tem como uma de suas frentes a formação de multiplicadores. No turismo e na gastronomia, conhecer essa estrutura ajuda a diferenciar uma ação de capacitação de uma atração turística: centro de referência não equivale automaticamente a estabelecimento aberto para degustação.

Alimentação escolar também entrou no debate

A Semana da Alimentação não ficou restrita ao consumo em restaurantes ou à apresentação de produtos especiais. A Secretaria de Agricultura informou que o encontro de 15 de outubro reuniu experiências de abastecimento escolar, cooperativismo e agricultura familiar. Cooperativas e associações expuseram alimentos de diferentes regiões do estado. Esse recorte amplia a discussão: qualidade, diversidade e organização da oferta interessam também às políticas públicas que aproximam produtores e alimentação cotidiana.

Na avaliação apresentada pela APTA Regional, agregar valor envolve conhecer melhor o alimento e seus possíveis usos. Para o leitor, a consequência prática é procurar informações de origem, características e forma de produção, em vez de considerar apenas o nome de uma receita. Para empreendedores, os projetos são referências de pesquisa e formação; condições de participação, atendimento e eventuais capacitações precisam ser verificadas diretamente com a instituição responsável.

A atuação da APTA Regional se distribui por 18 unidades de pesquisa no estado, segundo a própria instituição. As equipes trabalham com agronomia, zootecnia, pesca continental, sanidade vegetal e animal, sistemas integrados de produção e segurança alimentar. A organização informa manter 11 redes de pesquisa que aproximam profissionais de diferentes áreas. Essa distribuição permite desenvolver estudos adaptados às condições de cada região, em vez de tratar a produção paulista como uma realidade uniforme, do litoral às áreas de agricultura no interior.

Onde acompanhar as pesquisas e publicações

  • Instituição: APTA Regional, vinculada à estrutura de pesquisa da Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo.
  • Trabalhos apresentados: pupunha, cacau, banana, cogumelos e queijaria artesanal, entre outras cadeias.
  • Informações institucionais: consulte a página da APTA Regional no portal da Secretaria de Agricultura.
  • Materiais para leitura: a coleção Agro SP na Mesa reúne publicações gratuitas sobre alimentos e preparações, disponíveis na área de Segurança Alimentar da Secretaria.
  • Antes de participar: confirme diretamente com o órgão a existência de inscrições, cursos ou atendimento específico. A divulgação das pesquisas não constitui abertura de vagas.

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