
O CARDE Arte Design Museu, em Campos do Jordão, anunciou a renovação de parte da exposição de automóveis clássicos no mês em que completa dois anos de atividades. A seleção divulgada reúne dez veículos, entre eles um DeLorean DMC-12 de 1981, um Lamborghini Miura de 1967 e um Brasinca Uirapuru de 1966. Para quem já conhece o espaço, no Alto da Boa Vista, a mudança acrescenta modelos de diferentes épocas e origens ao percurso de visitação.
O anúncio apresenta a movimentação como a segunda troca de parte do acervo. Os carros relacionados vão de um Delahaye de 1909 a um Mazda RX-7 de 1992, passando por esportivos brasileiros, modelos italianos e automóveis de luxo. O conjunto permite acompanhar mudanças de desenho, proporções e soluções mecânicas ao longo de mais de oito décadas.
Aberto ao público em 28 de novembro de 2024, o museu chega ao segundo aniversário com mais de 200 mil visitantes, segundo balanço da instituição. O release informa que há 120 automóveis expostos, selecionados de um acervo total de cerca de 500 modelos. A renovação permite apresentar outras peças da coleção sem depender de uma ampliação do espaço expositivo.
Luiz Goshima, diretor do CARDE e conselheiro honorário da Fundação Lia Maria Aguiar, afirma que a mudança faz parte de uma programação contínua. “Desde aquele novembro de 2024 até aqui, cerca de um terço do museu já se modificou”, declara no material de divulgação. Segundo ele, as trocas buscam oferecer novidades também a quem retorna ao museu.
Os dez carros anunciados
A relação divulgada pelo museu reúne os seguintes modelos e anos:
- Delahaye Type 32 — 1909.
- Packard Eight 343 — 1927.
- duPont Model E Touring — 1927.
- Rolls-Royce Silver Wraith LWB Limousine — 1952.
- Iso Grifo — 1965.
- Brasinca Uirapuru — 1966.
- Lamborghini Miura — 1967.
- Volkswagen SP1 — 1973.
- DeLorean DMC-12 Coupé — 1981.
- Efini (Mazda) RX-7 Type R — 1992.
A seleção aproxima automóveis que nasceram com propostas distintas. Há modelos voltados à representação e ao transporte de passageiros em carrocerias amplas, como a limusine Rolls-Royce, e esportivos baixos, concebidos em torno do desempenho e do desenho. Essa variedade ajuda a explicar por que a história do automóvel também pode ser lida como história dos hábitos, da tecnologia e da cultura visual.


DeLorean: o modelo que ganhou outra vida no cinema
O DeLorean é um dos nomes de maior reconhecimento fora do universo dos colecionadores. O DMC-12 se tornou a máquina do tempo de Doc Brown e Marty McFly em De Volta para o Futuro, lançado em 1985. A ligação entre o carro e a produção aparece também no registro histórico mantido pelo site oficial da franquia.
O exemplar apresentado pelo CARDE tem características próprias de um carro de rua. Segundo o release, possui motor V6 traseiro de 2,8 litros, com 130 cavalos, e câmbio automático de três marchas. O projeto de Giorgetto Giugiaro combina painéis de aço inoxidável sem pintura e portas com abertura para cima, conhecidas como “asa de gaivota”. A referência ao cinema diz respeito ao modelo; o museu não o apresenta como um dos veículos usados nas filmagens.
Miura e RX-7 mostram caminhos diferentes da engenharia
O Lamborghini Miura anunciado pelo CARDE é de 1967. A história do modelo começou com sua apresentação ao público em 1966, no Salão de Genebra. Na documentação da Lamborghini, um de seus traços centrais é o motor V12 instalado transversalmente atrás da cabine, à frente das rodas traseiras.
Essa disposição permitiu concentrar o conjunto mecânico na região central do carro e marcou uma mudança em relação aos grandes esportivos de motor dianteiro. A carroceria foi criada pela Bertone, com perfil muito baixo, dianteira alongada e soluções de ventilação incorporadas às formas. O desenho e a configuração mecânica ajudam a entender a posição ocupada pelo Miura na história dos superesportivos.

O RX-7 apresenta outro caminho. A cronologia oficial da Mazda situa em 1991 o lançamento da terceira geração, conhecida pela sigla FD. É a geração à qual pertence o exemplar de 1992 identificado na divulgação do museu. Sua característica técnica mais conhecida é o motor rotativo, uma alternativa à arquitetura de pistões convencional.
O carro do CARDE foi destinado originalmente ao mercado japonês e, conforme a descrição fornecida pelo museu, tem volante à direita e câmbio manual de cinco marchas. O motor Wankel 13B-REW de 1,3 litro utiliza dois turbos sequenciais e desenvolve 255 cavalos. São características do exemplar anunciado, que acrescenta à seleção um representante da engenharia japonesa dos anos 1990.

Rolls-Royce presidencial e Packard ligado a Phil Hill
O Rolls-Royce Silver Wraith LWB Limousine de 1952 aproxima a exposição da história política brasileira. Segundo a documentação apresentada pelo CARDE no release, o automóvel foi encomendado pela Presidência da República e utilizado no transporte oficial de Getúlio Vargas. O museu informa que o exemplar chegou ao Brasil em janeiro de 1953.
A carroceria da empresa inglesa H.J. Mulliner tem uma divisória de vidro entre motorista e passageiros. Entre as adaptações descritas estão volante à esquerda, suportes para bandeiras nos para-lamas dianteiros e plataformas reforçadas nos estribos e no para-choque traseiro para os seguranças. A ficha fornecida pela instituição indica motor de seis cilindros em linha, de 4,6 litros, e transmissão manual de quatro marchas.

Outro destaque é o Packard 343 Eight Convertible Sedan de 1927. De acordo com o CARDE, o veículo pertenceu ao campeão mundial de Fórmula 1 Phil Hill, também conhecido por sua atuação na restauração de clássicos. O museu relata que Hill conquistou com esse automóvel o prêmio principal, “Best of Show”, do Concurso de Elegância de Pebble Beach em 1977.
O Packard tem carroceria especial elaborada por Walter M. Murphy, motor de oito cilindros em linha e capacidade para cinco ocupantes. A instituição o identifica como o único sobrevivente de três exemplares produzidos nessa configuração. A trajetória de propriedade e a premiação fazem parte da história individual do carro, além das características compartilhadas com outros modelos da marca.

Também de 1927, o duPont Model E Touring integra a renovação. Segundo o museu, o exemplar de chassi 547 foi enviado ao Brasil como veículo de demonstração e participou de Pebble Beach em 2025. O CARDE informa que a linha Model E teve 83 unidades fabricadas entre 1927 e 1928, em quatro tipos de carroceria.

SP1 e Uirapuru colocam a produção brasileira no percurso
Entre as novidades nacionais estão o Brasinca Uirapuru, identificado como modelo 1966, e o Volkswagen SP1, de 1973. Eles ampliam o espaço dedicado aos esportivos brasileiros dentro de uma seleção que também inclui marcas europeias, norte-americanas e japonesas.
O SP1 integra uma família desenvolvida no Brasil. De acordo com o arquivo oficial da Volkswagen, SP1 e SP2 foram inteiramente projetados, desenvolvidos e produzidos no país, com desenho assinado por Marcio Piancastelli. A apresentação dos modelos ocorreu em junho de 1972.
As denominações próximas escondem uma diferença importante: o SP1 usava motor 1.6, enquanto o SP2 recebia o 1.7. O exemplar anunciado pelo CARDE é o SP1. A distinção preserva a identidade do veículo e situa a novidade dentro da história de um projeto brasileiro que ganhou linhas próprias, em vez de simplesmente reproduzir um esportivo estrangeiro.


Dois anos de carros, arte e design em Campos
Criado pela Fundação Lia Maria Aguiar, o CARDE ocupa um edifício de seis mil metros quadrados em uma área cercada por araucárias. A proposta combina automóveis, obras de arte e peças de design para abordar a história do Brasil e do mundo, especialmente a do século XX. O percurso, portanto, vai além da identificação de marcas e fichas técnicas.
O museu também mantém uma programação de exposições temporárias. Na relação oficial de mostras, aparecem iniciativas anteriores dedicadas a Djanira, às peruas de viagem em família, aos carros brasileiros e à arte afro-brasileira. A diversidade dos temas mostra como a programação alterna o foco entre objetos, artistas e experiências sociais relacionadas ao acervo.
Em setembro, o NetCampos registrou o marco de 200 mil visitantes informado pelo CARDE, durante a divulgação de uma mostra sobre a Romi-Isetta. Agora, o aniversário traz como novidade a seleção de dez clássicos, em uma nova etapa de renovação da exposição.
Escola de Restauro e participação anunciada na Fórmula 1
O balanço dos dois anos inclui atividades de formação em Campos do Jordão. Segundo o CARDE, duas turmas da Escola de Restauro reuniram 28 jordanenses. A instituição também mantém um arquivo histórico e realiza leilões de automóveis. No release, informa ter ofertado 116 lotes em três leilões, com resultado superior a R$ 57 milhões; o documento não detalha a composição desse montante.
Na agenda internacional, o museu destaca as premiações de seus Isotta Fraschini em Pebble Beach em 2025 e 2026 e da Ferrari F50 no The Quail, em 2025. Relata ainda sua participação no World Forum for Motor Museums de 2026, em Mulhouse, na França, com apresentação sobre a cenografia e a combinação de automóveis, obras de arte e mobiliário no percurso expositivo.
O CARDE também anunciou ter recebido convite para levar três veículos ao desfile de abertura da etapa de Interlagos da Fórmula 1 em 2026: Cadillac Eldorado conversível de 1955, Mercedes-Benz 190 SL de 1958 e Willys Mark I de 1967. Esses três carros integram essa ação anunciada pelo museu e são distintos dos dez modelos relacionados na renovação da exposição.



Como visitar e quais são os benefícios para moradores
Segundo as informações oficiais de visitação, o CARDE abre de quinta a segunda-feira, das 10h às 18h, com entrada até 16h30. O ingresso inteiro custa R$ 160 e a meia-entrada, R$ 80. Crianças de até seis anos têm gratuidade.
Moradores cadastrados no CARDEJORDAN têm entrada gratuita às quintas-feiras, exceto feriados, e meia-entrada de sexta a segunda. O cadastro prévio exige RG para naturais da cidade ou título de eleitor registrado em Campos do Jordão.
- Endereço: Rua Benedito Olímpio Miranda, 280, Vila Siomara, Alto da Boa Vista, Campos do Jordão.
- Funcionamento: quinta a segunda, das 10h às 18h; última entrada às 16h30.
- Fechamento regular: terças e quartas-feiras, salvo programação especial.
- Estacionamento para automóvel: R$ 30.
- Telefone: (12) 3512-3547.
- Antes da visita, consulte o museu sobre a disponibilidade dos veículos anunciados e eventuais alterações de funcionamento.